viernes 3 de octubre de 2008

O Batalhao Atlacatl da Forca Armada Salvadorenha: "los angelitos del infierno".

O Atlacatl era o melhor batalhao do exército salvadorenho. Estava especialmente desenhado para aniquilar as forcas armadas esquerdistas. Seus homens eram os mais bem preparados e ja nao eram categorizados como simples soldados. O fato de que foram treinados com toda ajuda possível dos Estados Unidos era um propaganda que os acompanhava sempre e ilustrava as matérias dos jornais salvadorenhos, todavia nao foi o unico batalhao a receber as benesses estadunidenses, mas nenhum deles chegou a ter o mesmo prestígio que o Atlacatl e também nao contavam com um coronel como Domingo Monterrosa, tido como o mais brilhante militar salvadorenho que pode existir e, tambem, um dos mais crueis.

O Atlacatl era um dos Batalhoes de Reacao Imediata (BIRI) do Exercito Salvadorenho, que se envolveram na guerra ainda no comeco dos anos 1980. A mando de Domingo Monterrosa, iniciou suas operacoes tornando-se horrivelmente famosos com a realizacao, em dezembro de 1981, de uma operacao militar no norte de Morazán, no caserío El Mozote. Alí, durante os 15 dias que durou o operativo, foram assassinados aproximandamente 1000 civis. O massacre nunca foi objeto de uma investigacao oficial.

Outros fatos de aberta violacao contra os direitos humanos da populacao civil rural de El Salvador ocorreram em 1984, quase a totalidade delas atribuídas ao Batalhao Atlacatl. Neste ano iniciaram um operativo militar em 3 municipios de Cabañas. No transcurso as tropas massacraram 68 membros de comunidades cristas da zona, entre eles 27 criancas menores de 14 anos, 11 anciaos e varias mulheres, algumas delas grávidas. Os soldados queimaram varios cadáveres e queimaram cultivos de milho.

Ainda em 1984, no norte do estado de Chalatenango, cerca de 400 campesinos foram cercados por efetivos do Batalhao Atlacatl nas imediacoes do Rio Sumpul, onde foram alvejados. A maior parte dos campesinos morreu pelas feridas de bala ou afogadas em uma desesperada tentativa de salvar-se, cruzando a nado o rio.

Em 1989, um comando formado por membros do Batalhao Atlacatl invadiu uma das residencias dos sacerdotes jesuítas da Universidad Centroamericana José Simeón Cañas de San Salvador e assassinou 6 sacerdotes e 1 funcionaria e sua filha de 15 anos. Sobre isso eu ja escrevi aqui.

Com os acordos de paz que colocaram fim a guerra civil salvadorenha, o batalhao Atlacatl deixou de existir.

Abaixo, traducao de uma matéria do jornal El País, de 09 de dezembro de 1992, que informava sobre a dissolucao do batalhao mais temido das Forcas Armadas de El Salvador.


O Exército de El Salvador acaba com um batalha acusado de varias matancas.

O Exercito de El Salvador tinha previsto ontem (08/12/1992), dar baixa a mais temida de suas unidades contra-insurgentes: o Batalhao Atlacatl, responsavel de matancas e crimes contra a populacao civil durante a guerra de12 anos que padeceu o país centroamericano. Ao Atlacatl é atribuído os massacres do Rio Sumpul e El Mozote, com milhares de mortos, e o assassinato de 6 jesuítas (cinco deles espanhois) da Universidade Centroamericana, uma acao que comovou a opiniao pública mundial. A decisao, exigida nos acordos de Paz, foi anunciada oficialmente na noite da última segunda-feira. Foi um alívio depois de 3 dias de expectativas e temor ante a reacao que pudesse ter o exército, com dúvidas até o último momento sobre a efetividade desta medida e incomodados pela perda progressiva de influencia sobre a política nacional quesde que se assinaram os acordos de paz.

A dissolucao deste batalhao nao so representa o fim de uma unidade criada com o propósito de exterminar a guerrilha esquerdista da FMLN, como tambem o enterro do maior símbolo de terror criado durante a sangrenta guerra civil.

O batalhao Atlacatl foi formado em 1981 por instrutores norteamericanos como unidade suicida e, sem embargo, contava com uma companhía integrada exclusivamente por sua tropa fundadora.