jueves 21 de agosto de 2008

El Salvador: cuatro años de un gobierno con sentido humano!


Às vezes, El Salvador é um país que me assuta... Abaixo, traducao de uma declaracao do grande presidente Tony Saca.


"Quero dizer que estamos fazendo uma revisao final de uma nova Lei de Migracao. Nisso ja estamos trabalhando ha muito tempo. A pesar de as nossas leis garantirem a liberdade de culto, estamos enfrentando a grupos que, inclusive, podem chegar a ser perigosos, a grupos que podem ser radicais extremistas e perigosos. Precisamente, regularemos a presenca deste tipo de estrangeiros que praticam tradicoes e costumes totalmente diferentes a nossas tradicoes cristas. A [Direcao] de Migracao esta revisando a situacao desses estrangeiros. Entendo que alguns ja sairam do país e vamos ordenar que nao possam mais ingressar a El Salvador esse tipo de gente que vem instigar, que praticamente vem instaurar uma serie de crencas estranhas, anti-cristas e que sao rechacadas, que sao condenadas por todos que somos verdadeiramente cristaos. Estamos revisando isso, especialmente os estrangeiros, entendo que alguns ja sairam e se nao, a [direcao] de migracao vai tira-los do país".


Lendo declaracoes como essa, nao estranho toda a "funcao" que foi ate me darem um cartao de residente temporal com validade de 3 meses (!). Qualquer dia destes faco um post decente sobre o meu caso, o humor instavel do departamento de migracao de El Salvador e a incompetencia cavalar da Embaixada brasileira aqui.



sábado 16 de agosto de 2008

Curiosidades linguisticas...

El salvadoreño no hizo las cosas hace un rato, las hizo "DENDIOY"
El salvadoreño no se toma una cerveza de un solo trago, se la toma "DIUN SOLO"
En El Salvador no te llevan esposado, te llevan "ENCHUCHADO"
En El Salvador la policia no acepta sobornos, se les da MORDIDA
En El Salvador los niños no se enferman del estomago, se EMPACHAN o les da CHURRIA
El Salvadoreño no se golpea en la cabeza, se hace un CHINDONDO
En El Salvador no hay borrachos, hay CHICHIPATES
En El Salvador no hay cortes de energia, SE VA LA LUZ
El salvadoreño no se acorbada, SE AGÜEVA
El salvadoreño no entrena, LE METEN UN GRAN CHICHARRON
El salvadoreño no se desnuda, se CHULONEYA
El salvadoreño no hace examenes de reposicion, VA A LAS OLIMPIADAS
El salvadoreño no toma cerveza, SE HECHA LAS BIRRIAS
En El Salvador no hay gente blanca, hay CHELES
El Salvadoreño no es ensucia, se ENCHUCA
El salvadoreño no molesta, CHINGA O JODE
En El Salvador las casas no estan llenas de cosas, estan llenas de CHUNCHES o de TILICHES
El salvadoreño no come arroz con frijoles, come CASAMIENTO
El salvadoreño cuando sale no la pasa bien, la PASA BIEN CHIVO
El salvadoreño no se siente mareado, se siente TODO ZURUMBO
Al salvadoreño no le va mal, SE LO LLEVAS PUTAS
El salvadoreño no te dice "hola, como estas", te dice: HEY, QUE ONDAS
El salvadoreño no usa sandalias, usa CHANCLETAS
Es salvadoreño no es penoso, es BAYUNCO
El salvadoreño no llora, CHILLA
El salvadoreño no es enamora, se ENCULA
El salvadoreño no tiene dinero, tiene PISTO
El salvadoreño no toma, solo CHUPA
El salvadoreño no sale de paseo, sale a VAGAR
El salvadoreño no se pasa, SE PELA
El salvadoreño no es perezoso, es HUEVON
El salvadoreño no se quivoca, pero LA CAGA
El salvadoreño no se relaja, LA AGARRA AL SUAVE.
El salvadoreño no te dice malas palabras, TE PUTEYA
El salvadoreño no es bonito, es CHULO o HIJUESU.

Ja dizia Caetano, "quando eu cheguei aqui eu nada entendi..."

Ok. Nao e justo que a historia fique sem final. Mas to sem paciencia, o outro post tinha ficado muito melhor que o primeiro, que nem passou por revisao...

Enfim, 3 dias depois os cinco jesuitas foram executados pelo Batalhao Atlacatl da Forca Armada Salvadorenha. So a titulo de informacao, esse batalhao e bem conhecido por suas acoes extremamente crueis, foram eles os responsaveis, por exemplo, do Massacre de El Mozote.

Os 6 jesuitas foram executados no jardim da casa deles, que fica no interior do Centro Monseñor Romero, dentro da UCA. Hoje, no exato lugar onde os corpos foram encontrados, ha um jardim de rosas, semeadas em homenagem aos mártires da UCA. No mesmo dia assassinaram tambem duas mulheres, mae e filha, que cuidavam da casa: elas tinham cometido o erro de ver a cara dos soldados. Uma mala com os 5 mil dolares do premio que Inacio Ellacuría tinha ganho dias antes na Espanha foi roubada e nunca foi encontrada. O crime nunca foi resolvido, embora todos saibam quem sao os culpados, eles nunca foram condenados oficialmente.

martes 12 de agosto de 2008

Consideracoes sobre a nova foto do blog - Parte II

É uma lástima.
Tinha escrito a segunda parte do post. Um post enorme. Nunca fiz isso, mas hoje resolvi fazer. Escrevi direto no editor de texto do blogger. E Murphy me deu uma rasteira.
Aperto o botaozinho "publicar entrada" e, o que me acontece? Apagou tudo!

sábado 9 de agosto de 2008

Consideracoes sobre a nova foto do blog...


O texto a seguir vai ser postado em 2 partes. Tenham paciencia, logo entenderao o que é a foto. Enquanto isso, um pouquinho de um dos episodios da guerra civil salvadoreña.


Trata-se de uma foto do Jardin de Rosas, contiguo ao Centro Monseñor Romero, na Universidad Centroamericana José Simeón Cañas (UCA), onde estudo.

Em 16 de novembro de 89, Ignacio Ellacuría (reitor da universidade), Ignacio Martín-Baró (vice-reitor academico), Segundo Montes (diretor do Instituto de Directos Humanos da UCA), Juan Ramón Moreno (diretor da biblioteca de teologia da UCA), Amado López (profesor de filosofia) y Joaquín López y López, todos jesuitas espanhóis, foram assassinados por um pelotao do Batalhao Atlacatl da Forca Armada de El Salvador. Por terem presenciado a execucao, Elba e Celina Ramos, mae e filha que cuidavam da casa dos Jesuitas, tambem foram assassinadas.

Seguindo a tradicao progressista da Universidade, todos os padres eram “partidarios” da teologia da libertacao, corrente teologica que ganhou grande forca na America Latina nos anos 70, que buscava entender e ensinar aos cristaos a entender como poderia a fe nao ser alienante, senao libertadora. Ignacio Ellacuria era um dos expoentes dessa corrente catolica.

Em 11 de novembro de 89, a Farabundo Marti de Libertacao Nacional comecou o que seria a maior ofensiva urbana da guerra civil salvadoreña. Atacaram diversos pontos da capital de El Salvador, San Salvador. “Ate entao, quem queria viver um pouco mais de tranquilidade – ainda que os militares nao deixassem nunca de joder o povo – tinha que vir para zona central ou ocidental do pais. Era o tempo em que eu ainda podia caminhar nas ruas do Centro a noite, sem medo das maras. Mas, isso ate que a FMLN atacou com forca San Salvador em 89. Depois desse dia, ninguem sabia mais o que estava acontecendo” (Nicia Alvarenga, 43).

Naquele 11 de novembro, a guerrilla atacou simultáneamente varios pontos da capital, sendo os combates mais demorados perto da Universodade Nacional e ao longo da Autopista Sur, onde estao o Estadio Cuscatlan e algunas colonias militares que estao justamente em frente a UCA (vulgo “justamente onde eu moro”).

Durante as primeiras horas da ofensiva, emisoras de radio cubriam os combates por toda a cidade. Jornalistas e moradores dos lugares de combate telefonavam ao vivo para informar a gravidade dos ataques ou apenas para mandar noticias a seus familiares. Horas depois, todas as radios receberam ordens de cortar as informacoes e conectar-se a Radio Cuscatlan, a radio da Forca Armada salvadoreña. O conteudo das ligacoes mudaram radicalmente e comecaram a ir ao ar mensagens de odio, denuncias falsas e ataques contra sindicatos, igrejas (sobretudo as progresistas. E a de San Salvador era uma delas) e ONGs, todos acusados de serem fachadas da guerrilla. Em pouco tempo, comecaram a pedir acoes energicas contra esses grupos e, inclusive, contra pessoas. O reitor da UCA, Ignacio Ellacuria era um dos nomes mais falados: “Ellacuria es un guerrillero. ¡que le corten la cabeza!” As forcas conservadoras do país consideravam que Ellacuria tinha envenenado as mentes da juventude salvadoreña com seus encinos na UCA e no Externato San Jose.

No dia 12 de novembro, depois de receberem a noticia que um grupo de guerrilheiros havia entrado na UCA, um grupo de militares deslocou-se ate a universidade para “averiguar” o que de fato havia acontecido. "Desde ese momento, un grupo de militares se ubicó a la entrada de las instalaciones universitarias, registrando a todo el que entrara o saliera y, desde el lunes, impidiendo la entrada o salida de toda persona" (Martin-Baró, vice-reitor academico da UCA).

Dada a sua proximidade das principais instalacoes militares da capital, a Colonia Jardines de Guadalupe, onde se situa a UCA, passou a ser ocupada por soldados desde entao. Segundo as forcas militares, desde o incidente da entrada de guerrilheiros na UCA, eles comecaram a receber chamadas telefonicas anonimas que asseguravam que na Universidade havia transito frequente de guerrilheiros e ali eles escondiam armamento. Em geral, armas abandonadas nao eram nenhum risco, admitem os proprios militares, ja que quando fugiam, os guerrilheiros preferiam deixar os equipamentos. Todavía, insistiram em ligar as armas com os jesuitas e identifica-los como simpatizantes ou mesmo potenciais combatentes da FMLN.

Ignacio Ellacuria nao estava em El Salvador quando comecou a ofensiva urbana da FMLN. Estava na Espanha, onde recebeu um premio em nome da UCA e tambem para participar de uma serie de reunioes. Ainda na Espanha tinha recebido um fax do presidente de El Salvador, que lhe informava sobre os ultimos acontecimentos do pais e sobre um atentado contra a sede da federacao de sindicatos FENASTRAS, que havia gerado grande indignacao no pais. O presidente lhe convidou para conformar um grupo de trabalho para investigar o atentado. Ellacuria tambem era conhecido como ferrenho defensor dos direitos humanos e da justica. Respondeu ao presidente que voltaria ao pais, se colocaria a par da situacao, procuraria entender o que havia ocorrido nos dias em que esteve fora para a partir dai avaliar sua participacao neste grupo de trabalho.


"Nunca. No tengo miedo. No es un sentimiento que normalmente me invada. ¡Sería tan irracional que me matasen! No he hecho nada malo." (Ignacio Ellacuria, dias antes de voltar a El Salvador em entrevista ao jornal Avui, de Barcelona).

Em 13 de novembro, Ellacuria voltou ao pais. Ao chegar ao portao principal da UCA, os soldados que ali estavam lhe detiveram, ja que nao era possivel que ninguem entrasse ou saisse da Universidade. Quando souberam que se tratava do reitor da universidade, "déjenlo entrar, que es el padre".