lunes 1 de septiembre de 2008

El Mozote, Morazan, El Salvador.

No mes de julho fui com mais tres pessoas ate o oriente de El Salvador. Queriamos chegar a Perquin, Morazan, cidade conhecida por ter sido uma especie de quartel general da guerrilha salvadorenha e, por isso mesmo, palco de cruentas batalhas da guerra civil salvadorenha, ocorrida entre 1980 e 1992.

Perquin e uma das cidades da chamada "Rota da Paz", nomenclatura dada pelo Ministerio do Turismo a seis cidades do oriente (Corinto, Arambala, Villa El Rosario, Joateca, Cacaopera e Perquin), fieis testemunhas dos tempos de guerra e que hoje sao um "paraiso natural". Perquin, na verdade, eu nem chamaria de cidade. E um povoado rodeado de plantacoes de cafe e pinho, lugar de uma gente tranquila, porem, constante. Quase todas as casas do povoado tem uma historia em comum: sentiram a guerra levar a morte algum parente, por ligacao com a guerrilha ou pela crueldade da Forca Armada salvadorenha que, principalmente no oriente do pais, matou inumeros inocentes.

Desde que cheguei à El Salvador queria ir a Perquin. Queria ir ao Museu da Revolucao, queria ver o rosto daquelas pessoas, pisar naquelas ruas, tentar imaginar o ocorrido ali. Hoje, depois de ter ido ate la e lido um pouco mais sobre o lugar, o unico que consigo e identificar os lugares onde passei, mas imaginar que a guerra ja passou por aquelas ruazinhas estreitas e cheias de casas humildes? Nao consigo.

Todavia, o mais impactante e angustiante foi ir a Arambala para conhecer o Caserio El Mozote. A unica coisa que eu sabia sobre esse lugar era que ali havia ocorrido um massacre. Mas nao sabia de que magnitude e nem imaginava com que crueldade. Acho que foi melhor assim, do contrario, eu nao teria aguentado muito bem as poucas horas que ficamos la.

Chegar em El Mozote e muito estranho. As arvores de pinho desaparecem e dao lugar a vegetacao espinhosa de maguey e a um imenso pedregal. Um silencio profundo toma conta do ambiente e entras em uma rua, a unica do caserio, quase deserta, com poucas casas. A verdade é que o silencio dali me incomodou. O ar e pesado, a paisagem e opressora. Todo o tempo sentia que havia algo que me deixava intranquila.

Em frente ao "Monumento El Mozote Nunca Más", encontramos uma guia turística da comunidade que nos contou a historia do caserío. A historia de um povo que foi reduzido a ruinas, po e cinzas. A historia de um povo cujo erro foi estar situado em Morazan e encontrar-se "no meio do caminho que a Forca Armada salvadorenha tinha tracado em sua cruzada anticomunista".

Bastaram 20 minutos de conversa para entender o meu desconforto. Neste momento nao consigo acreditar que pisei naquele chao que um dia foi regado com sangue de gente totalmente inocente, onde cerca de 1000 pessoas foram massacradas pela Forca Armada. Agora, conhecendo um pouco mais da historia, acho que o que senti nao foi desconforto, mas sim o sofrimento de um povo oprimido que, ainda hoje, precisa de justica.





*esse post vai continuar. planejo mais dois, pelo menos. o segundo sera sobre o batalhao atlacatl, responsavel pelo massacre. e o terceiro tentara contar o que/como foi o massacre de El Mozote.