El Salvador: a paz deve ser produto da justiça
“A las 5 de la tarde de hoy se inició la ofensiva final. El enemigo está rodeado: la justicia popular ha llegado”. Com esse comunicado, em 10 de janeiro de 1980 a Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional(FMLN) e a Frente Democrática Revolucionária (FDR) divulgaram o começo da ofensiva geral. Era o início oficial da guerra civil salvadorenha, que se estenderia até 1992, quando da assinatura dos Acordos de Paz de Chapultepec.
Hoje, 16 de janeiro, a assinatura dos acordos completa 17 anos. Uma data histórica, mas que em El Salvador, surpreendentemente, muita gente desconhece. Os principais jornais do país não deram importância alguma à data, o foco dos diários continua nas eleições para deputados e prefeitos que acontecerá domingo, 18/01.
Os Acordos de Chapultepec gozam de grande prestígio internacional por ser o único acordo mediado pelas Nações Unidas que, de fato, conseguiu pôr fim a um conflito. É um acordo modelo, pelo menos teoricamente. Segundo Santiago (fundador e líder da Radio Venceremos), os acordos deram a El Salvador o que naquele momento se pôde alcançar, já que a correlação de forças impossibilitava que se alcançassem outros benefícios.
Grosso modo, os maiores ganhos dos Acordos foram, sem dúvida, o fim da guerra, o desmantelamento dos aparelhos de violência estatal (a Guardia Nacional e a Policía de Hacienda), e a conversão da guerrilha militar do FMLN em partido político.
Todavia, o fim do conflito não garantiu a criação de um Estado democrático. O país sofre desde sempre e até hoje com altos níveis de corrupção e sem perspectivas de melhoras quanto a isso.
A violência não é exclusividade dos tempos de guerra. Após o conflito e até hoje, El Salvador (que é governado há 20 anos pelo partido ARENA), mantém o posto de país mais violento (em termos de assassinatos) da América Latina. Em 1994, o país alcançou uma taxa de homicídios de 150 por cada 100 mil pessoas. Em 1995, a taxa subiu para 160 por 100 mil pessoas. Hoje, o país ainda é líder em homicídios de jovens, com uma taxa de 92 por 100 mil.
A cultura da violência ainda é muito arraigada. Pese os números alarmantes de assassinatos, o país é o segundo maior receptor de ajuda militar e o 11º na lista de compra de armas. Entre 2000 e 2003, foram gastos 46.8 milhões de dólares em armamentos. Durante a guerra civil, o governo estadunidense injetou 1.5 milhões de dólares diários em ajuda econômica e militar.
Desde a minha não tão legítima opinião, o fim da guerra é o grande fruto dos acordos e deveria ser patrimônio do povo salvadorenho. Grandes avanços ainda não se podem ver facilmente, mas, acredito também que a história é uma construção, que a justiça não é fabricada e nem imposta por decreto e que a paz é fruto da justiça. E cabe mais uma vez aos salvadorenhos lutar pelo seu povo, mas hoje em outros fronts. É preciso fundar um Estado respeitoso e garantidor dos direitos humanos fundamentais, é preciso refundar as instituições do país, é urgente um pacto social entre sociedade e Estado para que todos se sintam parte de uma verdadeira reconstrução nacional.

2 comentarios:
tche, tu ta acompanhando as eleicoes? caraca, visse que a Arena levou a capital? nao posso crer...
por que ao inves de querer arrumar nao sei o que no meu, tu nao da uma atualizadinha no teu...
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